Nem mesmo numa época de "paz" ficamos isentos de acontecimentos como esse: massacre em boate turca, assaltos diversos em viradas de ano e agora mais outro crime chocante e feminicida, estávamos nos recuperando de um crime de ódio homofóbico há uma semana e já temos outro tão terrível quanto.
Reproduzo aqui um trecho do texto de Lola Aranovich:
A TRAGÉDIA ANUNCIADA DO ETERNO ÓDIO CONTRA AS MULHERES
Que maneira horrenda de começar o ano! Ontem, assim que li pela primeira vez alguma notícia sobre a "chacina" e "tragédia" de Campinas, em que um homem de 46 anos invadiu uma festa de reveillon e matou doze pessoas, entre elas sua ex-esposa e seu filho de 8 anos, tuitei pedindo que a mídia tratasse o caso como feminicídio.
Porque tragédias e chacinas, pra mim, tem outra conotação. Tragédia está mais ligada a desastres naturais, coisas não premeditadas. Chacinas são quase sempre cometidas por traficantes ou policiais. Feminicídio (que os dicionários ainda sublinham de vermelho, como se o termo sequer existisse) são crimes em que a vítima ou a maior parte das vítimas é mulher, que foi morta por ser mulher. É uma epidemia internacional. Segundo a ONU, 38% de todas as mulheres assassinadas no planeta são mortas pelo parceiro ou ex-parceiro. É o cara que jurou amor eterno mas não aceitou o fim do relacionamento, que prefere ver a companheira morta do que com outro, que quer se vingar, que quer lavar sua honra. É incrível a quantidade dos homens que recorre à violência quando tem que lidar com algum tipo de rejeição. Só esses índices alarmantes já provam como o feminismo é imprescindível e como aulas de gênero podem ser importantes para combater a violência.
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